O ensino de língua e literatura
Gostaria de começar uma reflexão sobre ensino de língua e literatura, relembrando que, no meu tempo de estudante de ginásio e colégio, literatura brasileira, literatura portuguesa e língua portuguesa faziam parte de uma disciplina denominada
português. Aí se lia, aí se redigia, aí nos informavam dos saberes já existentes a respeito de literatura (especialmente a história literária, a retórica e a poética tradicionais) e da língua (a gramaática normativa). Mas, apesar de reunidas numa mesma disciplina e na mesma figura do professor, a língua e a literatura permaneciam como dois campos separados, didaticamente distribídos em horários diferentes.
Hoje a separação se acentuou: da disciplina de comunicação e expressão, Ensino Fundamental, não faz parte a literatura - que só vai entrar no programa do Ensino Médio, não faz parte a literatura exigidos no vestibular. No Ensino fundamental, o que acontece é a entrada esporádica de um ou outro livro, ou de fragmentos, e o domínio dos chamados paradidáticos.
Ontem, como hoje, dificilmente conseguimos integrar o estudo da literatura. Sempre as aulas de língua tiveram a tendência a se concentrar na gramática, estudada abstratamente, através de exemplos soltos, frases pré-fabricadas sob medida para os fatos gramaticais a exemplificar ou a exercitar.
às vezes, pretendendo tornar a aula de gramática mais interessante (e duplamente útil, ilustrando os seus alunos) o professor trazia (ou traz) um texto literário para nele exercitar a busca de orações subordinadas ou substantivos abstratos. Também era (e é) frequente a utilização de enunciados pescados cá e lá em contos, romances ou poemas de escritores consagrados para transformá-los, como a própria gramática o faz, em norma ou, ao contrário, em exemplos das exceções permitidas, porque provindas da pena de uma autoridade ( o autor famoso).
( Tatiane Gomes)
A cursista Tatiane Gomes "pescando" seu relato e apresentando seu texto, escolhido pelos demais cursistas para essa postagem.
O trabalho com o TP5 foi pautado em questionamentos sobre a separação do ensino de língua e de literatura. O que se coloca é se a separação do ensino de língia e literatura é inevitável, enquanto exigência da própria escola com sua compartimentação artificial do saber, ou se haveria outra maneira de ensinar língua e literatura de modo a dinamizar e relacionar organicamente as duas. e, havendo possibilidade de transformar o ensino de comunicação e expressão, o que isso mudaria? O que ganhariam os alunos, os professores, a escola ou a sociedade com essa mudança? Os alunos aprederiam mais ou melhor a língua e literatura?
Iniciamos com os relatos sobre as atividades desenvolvidas com os alunos no TP5 e em seguida desenvolvemos uma atividade reflexiva sobre as possíveís respostas aos nossos questionamentos. Entendemos que não é possível arriscarmos respostas sem nos aprofundarmos um pouco no que entendemos por literatura e por língua.Além da aplicação das oficinas levamos como tarefa a busca de respostas para nossas angústias e a produção de textos que respondam essas perguntas.