quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Oficina de Coerência e Coesão


Iniciamos o trabalho procurando responder às dúvidas que surgiram na oficina anterior. Os cursistas estavam empolgados e apresentaram seus estudos e as respostas que obtiveram com relação ao ensino da língua e da literatura em sala de aula.
Os professores Alcimara, Cleoci, Tatiane e Paulo retomaram a idéia de Geralldi quando afirma que a condição do sujeito é uma condição de crise contínua, entendamos que aprender literatura é também o aprendizado dessa crise na disposição das singularidades que ela implica. Tão espinhosa quanto a produção de um discurso próprio, a escuta da literatura é como odesafio de qualquer nova experiência. Escamotear essa premissa é cair em substitutivos falsos de facilitação de tarefas que têm sido uma das causas principais do extremo marasmo de quase toda a produção contemporânea (literária ou não). Literatura fácil; teorias fáceis; modos fáceis de leitura - banalidades de um conceito de escola que, em nome de uma pretensa adequação às aspirações do aluno, antecipa seu desejo e lhe veda o direito aos desafios.

Demos continuidade à oficina falando sobre os elementos de coerência e coesão textuais. Foram apresentadas posssibilidades de trabalho com o uso de imagens. Reforçou-se a idéia de que o texto não verbal possui inúmeras inferências, propostas de intertextualidade e pode proporcionar prazer e interesse à medida que a coesão e a coerência sejam bem exploradas a partir dele.




Após a apresentação das imagens e da exploração dos conceitos de coesão e coerência textual nos organizamos em grupos e planejamos uma sequência didática para uma aula de coesão textual a partir de textos não verbais.
Ficou bastante clara a dificuldade dos cursistas quanto à distinção entre coerência e coesão embora muitos tenham desconsiderado essa distinção hoje em dia já se tornou praticamente um consenso que trata de noções diferentes.
A


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

OFICINA TP 5

O ensino de língua e literatura

Gostaria de começar uma reflexão sobre ensino de língua e literatura, relembrando que, no meu tempo de estudante de ginásio e colégio, literatura brasileira, literatura portuguesa e língua portuguesa faziam parte de uma disciplina denominada português. Aí se lia, aí se redigia, aí nos informavam dos saberes já existentes a respeito de literatura (especialmente a história literária, a retórica e a poética tradicionais) e da língua (a gramaática normativa). Mas, apesar de reunidas numa mesma disciplina e na mesma figura do  professor, a língua e a literatura permaneciam como dois campos separados, didaticamente distribídos em horários diferentes.
Hoje a separação se acentuou: da disciplina de comunicação e expressão, Ensino Fundamental, não faz parte a literatura - que só vai entrar no programa do Ensino Médio, não faz parte a literatura exigidos no vestibular. No Ensino fundamental, o que acontece é a entrada esporádica de um ou outro livro, ou de fragmentos, e o domínio dos chamados paradidáticos.
Ontem, como hoje, dificilmente conseguimos integrar o estudo da literatura. Sempre as aulas de língua tiveram a tendência a se concentrar na gramática, estudada abstratamente, através de exemplos soltos, frases pré-fabricadas sob medida para os fatos gramaticais a exemplificar ou a exercitar.
às vezes, pretendendo tornar a aula de gramática mais interessante (e duplamente útil, ilustrando os seus alunos) o professor trazia (ou traz) um texto literário para nele exercitar a busca de orações subordinadas ou substantivos abstratos. Também era (e é) frequente a utilização de enunciados pescados cá e lá em contos, romances ou poemas de escritores consagrados para transformá-los, como a própria gramática o faz, em norma ou, ao contrário, em exemplos das exceções permitidas, porque provindas da pena de uma autoridade ( o autor famoso).

(  Tatiane Gomes)




A cursista Tatiane Gomes "pescando" seu relato e apresentando seu texto, escolhido pelos demais cursistas para essa postagem.

O trabalho com o TP5 foi pautado em questionamentos sobre a separação do ensino de língua e de literatura. O que se coloca é se a separação do ensino de língia e literatura é inevitável, enquanto exigência da própria escola com sua compartimentação artificial do saber, ou se haveria outra maneira de ensinar língua e literatura de modo a dinamizar e relacionar organicamente as duas. e, havendo possibilidade de transformar o ensino de comunicação e expressão, o que isso mudaria? O que ganhariam os alunos, os professores, a escola ou a sociedade com essa mudança? Os alunos aprederiam mais ou melhor a língua e literatura?
Iniciamos com os relatos sobre as atividades desenvolvidas com os alunos no TP5 e em seguida desenvolvemos uma atividade reflexiva sobre as possíveís respostas aos nossos questionamentos. Entendemos que não é possível arriscarmos respostas sem nos aprofundarmos um pouco no que entendemos por literatura e por língua.Além da aplicação das oficinas levamos como tarefa a busca de respostas para nossas angústias e a produção de textos que respondam essas perguntas.