"Ninguém nasce sabendo ler: aprende-se a ler à medida que se vive. Se
ler livros geralmente se aprende nos bancos da escola, outras leituras se aprendem por aí, na chamada escola da vida: a leitura do vôo das arribações que indicam a seca - como sabe quem lê
Vidas Secas de Graciliano Ramos
- independe da aprendizagem formal e se perfaz na interação cotidiana com o mundo das coisas e dos outros."
(Adriana Turatto Becker - Cursista)
"Lê-se para entender o mundo, para viver melhor. Em nossa cultura, quanto mais a brangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode encerrar-se nela."
(Anne Priscila - cursista)
Como fonte de prazer e de sabedoria, a leitura não esgota seu poder de sedução nos estreitos círculos da escola.
Apostamos nisso, e na oficina de hoje constituimos uma espécie de profisssão de fé nessa aposta, discutindo ao longo do encontro as idéias aqui reunidas. Falamos de leitura, de leitura de mundo, do mundo da leitura; invocando a temporária suspensão do real que os livros patrocinam como forma de iluminar e fecundar o retorno ao real.
A primeira parte da discussão foi constituída de ensaios mais direta e ostensivamente relacionados ao mundo de papel impresso, de escola, de alunos e professores, de livro didático, de literatura infantil e juvenil. Currículo, formação de professores, práticas escolares de leitura (particularmente de leitura literária), formas de inserção de livros escolares e de leitura em diferentes momentos do sistema cultural brasileiro são as portas de ingresso para as questões e reflexões que incidem sobre diferentes aspectos do mundo da leitura, argumentou o professor Luís Carlos.
Num segundo momento nos dividimos em equipes e apresentamos as possíveis leituras do nosso cotidiano. Planejamos a exploração do poema Cidadezinha Qualquer elaborando uma forma de apresentá-los aos colegas.
Buscamos formular atividades que despertassem curiosidade e especulações por parte de nossos alunos, também ouvimos os relatos dos textos já trabalhados pelos colegas e assistimos às oficinas planejadas para o retorno às salas de aula.
Os cursistas observaram a nova disposição de nossa sala de encontros, o cenário e o material e levantaram a importância de enriquecer o ambiente escolar.
Trabalhamos com os textos "Cidade Maravilhosa"e abordamos a cidade do Rio,"O Canto da cidade" e percebemos a visão o compositor sobre as cidade do nordeste e cantamos"Rainha da Serra" lembrando a nossa querida Curitibanos. Foi uma oficina rica e cheia de descobertas. Acreditamos que a leitura sobre as cidades foi no mínimo intrigante e agora vamos aos que têm a cede do saber!!!
Por fim falamos sobre a escolarização do texto:
"Vocês, garotos do colégio, não perguntem ao quando nasceu. Ele não nasceu. Não vai nascer mais. desistiu de nascer quando viu que o esperavam garotos do colégio de lápis em punho com professores na retaguarda comandando: caçem o urso polar, tragam-no vivo para fazer uma conferência." (Carlos Drummond De Andrade)