segunda-feira, 30 de novembro de 2009

OS SENTIDOS DO TEXTO

"Na realidade, toda palavra comporta duas faces. Ela é determinada tanto pelo fato de que procede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém. Ela constitui justamente o produto da interação do locutor e do ouvinte. Toda palavra serve de expressão a um em relação ao outro."

(Mikhail Bakthin)


A oficina que contemplou a escrita foi árdua,dolorida, eu diria que foi quase um parto. A professora Ivania iniciou relatando as dificuldades de escrita que encontrou no caminho de seus alunos na última intervenção em sala de aula. Todos ouviram, porém não comungaram da mesma aflição da professora. Parecia que tudo estava certo no nível inventário das deficiências que podem ser apontadas como resultados do que já habituamos chamar de "crise do sistema educacional brasileiro".
Pouco durou. Bastou a professora Maricléia ler um texto produzido por alunos da 8a. série para que aparecessem comentários interessantes como: "o baixo nível de desempenho linguístico demonstrado pelos nossos alunos na utilização da língua, quer na modalidade oral, quer na modalidade escrita está avançando todos os dias." 
Apesar do ranço de muitas dessas afirmações e dos equívocos de algumas explicações, foi necessário reconhecer um certo fracasso de  muitas de nossas práticas.
Reconhecer e mesmo partilhar com os cursistas tal fracasso não significa, em absoluto, encontrar caminhos. Foi necessário mais que isso. Foram, então repensados os enfoques, as estratégias de trabalho com os alunos, a bibliografia utilizada, o sistema de avaliação, o relacionamento com os alunos. Em geral, quando se fala em ensino, uma questão prévia - para que ensinamos?, e sua correlata: para que as crianças aprendem o que aprendem? - é esquecida em benefício de discussões sobre o como ensinar, o quando ensinar, o que ensinar, etc.  A resposta ao "para que" efetivamente deu diretrizes ao nosso trabalho. Foi doloroso perceber que nos falta tanto uma concepção de linguagem quanto uma postura relativamente à educação. Uma e outra se fazem presentes na articulação metodológica. Por isso são questões prévias. Então vamos buscar!
Este encontro foi marcado por discussões fervorosas, concepções distorcidas do ensino da língua, práticas tradicionais, a prática da análise linguística, as produções silenciosas e, principalmente a resistência em mudar.
Chegamos ao final do encontro precisando entender muito mais sobre o processo de letramento, a alfabetização e o trabalho dos professores de 1o. ao 5o. ano.
Fficou acordado que buscaríamos mais leituras e um especialista em alfabetização para nos auxiliar na caminhada.



As práticas relatadas calaram fundo... e fomos obrigados a concordar que muitas vezes a escola esquece que a educação é um problema social, e encara-o como problema pedagógico.
A oficina encerrou com muitas dúvidas e com o compromisso de maiores estudos e discussão ampla para o próximo encontro.

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